Macchione culpa a imprensa por problemas em seu governo e jura calar a boca dos críticos
A grande culpada pelos problemas no governo municipal é a imprensa - em especial o Grupo Gerson Gabas de Comunicação - e o fim da administração municipal irá calar a boca de muita gente. Esta foi a afirmação feita pelo prefeito Afonso Macchione, na noite de ontem - segunda-feira - em encontro realizado com moradores do Conjunto Theodoro Rosa Filho. O prefeito estava acompanhado de membros de seu governo, além do vice-prefeito Roberto Cacciari.
Macchione disse que a imprensa só destaca os atrasos das obras, porém, não explica os motivos. “Nós não pagamos empreiteiras que não realizam o serviço, ou fazem corpo mole. No caso do terminal, a empresa de Curitiba terá que pagar para a Prefeitura, multa de 10% do valor do contrato. Até o final do meu mandato, vou entregar todas as avenidas e vou calar a boca da imprensa”, falou um exaltado prefeito.
O prefeito ainda destacou que a imprensa não divulga o trabalho errado que foi feito na gestão anterior. “Essa avenida, continuação da São Domingos, é um exemplo, é um absurdo o que fizeram aqui, mas os jornais nunca divulgaram isso”. O jornal O Regional também foi lembrado nas críticas. “Na gestão anterior, a prefeitura pagava ao O Regional valores mensais. Na minha administração, sabe quanto pago? Nada”.
Não é a primeira vez que o prefeito ataca a imprensa, em especial o jornal O Regional. Há alguns meses, Macchione chegou a se irritar publicamente em entrevista à Rádio Globo Noroeste Paulista, criticando abertamente a direção do Grupo Gerson Gabas de Comunicação. Ultimamente, o jornal O Regional aumentou o gás na frigideira, fritando a atual administração.
Nesta terça-feira, charge do jornal apresenta o prefeito com um extenso nariz de madeira, sugerindo que ele mente em suas promessas.
O ENCONTRO
A reunião serviu para a discussão sobre as obras que serão realizadas na avenida São Domingos.
O secretário de Obras, Neto Minervino, disse que o encontro “foi um pedido pessoal seu, para o prefeito, para explicar aos moradores e deixá-los a par, sobre os transtornos que a obra vai causar, como exemplo, os desvios e caso ocorra chuvas.”
A discussão girou em torno do início das obras: ter o começo imediato ou esperar o período de chuvas de março, iniciando em abril. A segunda opção foi a escolhida pela maioria dos moradores. “Se esperamos oito anos, não custa nada esperar mais um mês”, disse um morador.
O secretário do Meio-Ambiente, Beto Lapera, também explicou aos moradores sobre a criação do parque que está sendo construído do outro lado do rio São Domingos, ao lado do recinto de exposições, dizendo que o bairro será interligado por duas passarelas e terá calçadas em toda a extensão, além de ciclovia.
Quando o secretário disse sobre o prazo de entrega, informando que “a obra estará pronta até novembro deste ano”, um morador questionou até onde poderia confiar na informação, visto que outras obras da prefeitura já estavam atrasadas. “Quais garantias podemos ter que a data de entrega realmente será cumprida?”. Lapera, mesmo sem dizer o nome da empresa ganhadora da concorrência, no caso, Consfran, salientou que “a empresa tem nome no mercado, e apresentava uma excelente saúde financeira”, diferente de outras que abandonaram as obras.
Depois desse questionamento, foi a vez do prefeito Afonso Macchione usar a palavra, explicando os motivos dos atrasos de obras e jogando parte da culpa dos atrasos na imprensa catanduvense.
Fotos e parte do texto: Sérgio Melhado
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